TEM MULHER NO AGRO

REPRESENTATIVIDADE IMPORTA: MULHER, MÃE
E PRODUTORA DE LEITE 

Andrea Fioravanti Reisdörfer

A paulista, Debora Parecido, é uma inspiração para suas duas filhas e também para outras tantas mulheres que estão conquistando, cada vez mais, espaço no campo  

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Uma análise do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), divulgada em outubro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que aumentou em 80% a participação das mulheres na agricultura familiar, em comparação à masculina, em 2019. O mesmo estudo também indica o fortalecimento dessa capacidade produtiva e a tendência da presença das agricultoras, por meio de cooperativas e associações, que participam do programa. A região Sudeste é que tem o maior número, 88%, seguida pelo Nordeste (84%), Centro-Oeste (80%), Norte (67%) e Sul (65%). 

 

 

Embora os números sejam promissores, a resistência ainda é uma realidade enfrentada por muitas mulheres que atuam no segmento do agronegócio. Sair da invisibilidade e ocupar espaços, na maioria das vezes, não é uma tarefa simples. Mas, é fato, que a luta e a representatividade feminina estão em um movimento crescente. 

 

A paulista Débora Parecido, 32 anos, de Manduri, região Sudeste de São Paulo, é uma, entre tantas mulheres brasileiras, que dividem igualmente as atividades da propriedade.    

 

Na área de 11 hectares, ela e o marido, Rafael (34), são responsáveis pelo rebanho de 130 cabeças, com produção diária de 1.500 litros de leite, comercializados para empresa da região.  

 

“Inicialmente eu comecei a ajudar meu marido na ordenha e a cuidar das matrizes leiteiras”, conta. A partir daí ela relata que passou a ter envolvimento e atuação direta nos rumos da propriedade. “Decidimos juntos o nosso primeiro investimento na sala de ordenha com o fosso e também a iniciativa de separar os bezerros das matrizes no primeiro dia de vida”, relata.  

Desde pequena acompanhando a mãe nas atividades da propriedade, Maria Fernanda quer formar-se em Veterinária 

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Rafaela também participa das lidas ao lado da mãe e irmã

A essa altura, as duas filhas do casal, na época Maria Fernanda com 8 anos, e Rafaela, 6, mas que desde os primeiros anos de vida acompanhavam e viam a atividade da mãe, já ajudavam no cuidado dos bezerros recém-nascidos, principalmente no momento de dar mamadeira. “Foi aí que começou o amor delas pelos animais”

Hoje, as meninas estão com 14 e 11 anos, respectivamente, e, além dos bezerros, auxiliam também na ordenha.  

Com o passar do tempo, o empenho da família produtora de leite possibilitou outros importantes investimentos, como a compra de trator MF 4275 adquirido na concessionária Disma de Ourinhos (SP). Mas a história com a marca já vem de tempos. A família também conta com um modelo MF 235, comprado em 1976 e de propriedade do sogro de Débora. É com ele que a família Parecido faz a preparação do solo para o plantio do milho e a adubação. “Já o MF 4275 usamos para a silagem de milho, também no preparo do solo, trato das vacas, limpeza do barracão e, pelo menos três vezes ao dia, para mexer na cama do Compost Burn”, explica Débora. O Compost Burn, sistema que consiste em um grande espaço coberto para o descanso das vacas, revestido com serragem, sobras de corte de madeira e que tem o objetivo de garantir conforto e local seco para os animais, foi um dos investimentos mais recentes da família Parecido.  

A rotina do casal começa bem antes do nascer do sol. “São três ordenhas ao dia. Eu e o Rafael fazemos a das 4 h da manhã, e as outras duas, as 12h e as 19h, são feitas por um casal de funcionários”, explica Débora.  

 

Ao ser questionada sobre como percebe o papel da mulher neste segmento, a produtora de leite é enfática: “O agronegócio é tradicionalmente um espaço masculino, mas a participação feminina vem crescendo gradativamente. Muitas mulheres saíram da situação de suporte dos seus maridos para assumirem a liderança de propriedades rurais, apesar de ainda representarem uma pequena minoria frente aos negócios no campo”, pondera. Debora tem razão.  De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, o número de estabelecimentos agrícolas administrados por mulheres cresceu 38% em 12 anos. Embora em ritmo lento, as conquistas vêm acontecendo. “Eu fico muito feliz em ver outras mulheres ganhando cada vez mais força e representatividade no setor do agronegócio”, afirma. A mãe, que é exemplo de força e determinação, também é fonte de inspiração para as duas filhas que, desde muito pequenas, a acompanham nas atividades da propriedade.  “Posso dizer que somos muito abençoados. Sempre digo que minha fé é nosso alicerce, Deus é o pilar que sempre nos mantém em pé e Nossa Senhora é a nossa base”.

Disma Tratores

A família de Débora Parecido é cliente da concessionária Disma Tratores, filial de Ourinhos (SP). A empresa pertence ao Grupo Shark e está há mais de 60 anos no mercado de máquinas agrícolas. Iniciou suas atividades no estado de São Paulo em 2012 e hoje conta com lojas nas cidades de Araçatuba, matriz, e outras filiais em Adamantina, Andradina, Presidente Prudente, Tupã e Penápolis. Distribuindo toda a linha de produtos Massey Ferguson, a empresa conta com uma equipe técnica especializada e treinada na fábrica. “Temos uma parceria muito boa com a concessionária e somos sempre muito bem atendidos pelo vendedor Gustavo”, destaca, Débora.