TEM MULHER NO CAMPO

CONTINUAR E RECOMEÇAR A PRÓPRIA HISTÓRIA

Com perseverança Ruth dos Santos trabalha para recuperar e tornar fértil o solo do sítio Invernada do Mirim, que há mais de 60 anos pertence à família

A capacidade do indivíduo em lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir a situações adversas, tem nome: resiliência. E é esta habilidade que “habita” o peito de muitas mulheres Brasil afora. E, possivelmente, é ainda mais latente naquelas que estão no comando de propriedades rurais, já que desempenham uma atividade sujeita a inúmeras variantes.

De acordo com último Censo Agropecuário do IBGE, 947 mil mulheres estão à frente de propriedades agrícolas. A engenheira agrônoma, Ruth Bannwart C. dos Santos, 60 anos, é uma delas. Desde 2019, quando tomou as rédeas da propriedade de 62 hectares, em Indaiatuba (SP), vem trabalhando e enfrentando as adversidades para recuperar a capacidade produtiva do pedaço de chão que há mais de 60 anos pertence a sua família. A herança foi deixada dos avós, para o pais de Ruth, que assumiram a propriedade na década de 1970. “No início meu pai dedicou-se ao gado de leite”, relembra.

Com o passar dos anos o pai, já cansado e com a atividade não indo muito bem, resolveu migrar para o gado de corte. Com o falecimento do patriarca em 2013, a irmã de Ruth assumiu o comando, “mas minha irmã faleceu em 2019 e eu precisei assumir a frente a propriedade”.

O desafio só estava começando. A terra, tomada por cupinzeiros, praticamente inviabilizava qualquer atividade. No entanto, a engenheira não esmoreceu diante da dificuldade. “Tem muita dedicação e suor aqui do meu avô, Luis Emilio Bannwart, e de meu pai, Luiz Gonzaga dos Santos. Recuperar o solo, melhorar o manejo das capineiras e pastagem e ver o gado responder a estas práticas, me fazem sentir que estou honrando a memória de ambos e o patrimônio que nos deixaram.” Ruth relata ainda que encontrou o gado bem debilitado e o manejo ruim e que, em razão disso, perdeu algumas cabeças com a babesiose, referindo-se à doença transmitida por carrapatos que infectam os glóbulos vermelhos.

No início de 2020 contratou um veterinário e, com o apoio de um primo e comprador de gado, conseguiu reverter o quadro. “Com dicas valiosas de pastagem e suplementação bovina foi possível mudar o cenário e, desde então, não perdemos mais nenhuma cabeça”.  Segundo a agrônoma o resultado foi imediato, o rebanho ganhou peso e o nascimento de bezerros, fortes mantendo as mães no período de gestação, e o aleitamento, estão em ótimo estado de saúde.

A meta para 2021 e 2022, planeja a engenheira, é recuperar as áreas degradadas com a retirada dos cupins e, então, cultivar o solo. Para esta árdua tarefa, como Ruth mesma define, a produtora investiu em um novo trator, o MF 4330, adquirido através do Consórcio Nacional Massey Ferguson. A máquina foi entregue em maio pela concessionária Comac de Campinas (SP). Até então o sítio Invernada do Mirim, contava somente com um trator antigo, um MF 275, ano 1978.

Com a chegada do MF 4307, apelidado de “Brutus”, já iniciaram as atividades de retirada dos cupins, subsolagem e de gradear a terra.  “Vamos por etapas e glebas, mas iremos conseguir reverter esse quadro de degradação do solo que encontramos. A ideia é plantar milho, capim e aveia e recuperar a pastagem dos gados de corte da raça nelore e novilhas brasford x nelore”, prospecta a agrônoma, que comercializa o gado com 8 a 12 meses de vida.  

Atualmente a propriedade conta com 86 cabeças, mas, até o final do ano, está previsto o nascimento de cerca de 23 animais. “Com boa pastagem e capineiras que garantam a seca, suplementação e dedicação, pretendo chegar em 2022 com 150 cabeças”. Ruth, que vive na propriedade ao lado da mãe, Edith Bannwart Santos, conta com o auxílio de três funcionários que residem no sítio com as esposas.

Entre as grandes compensações que sua atividade traz, ela relata a alegria da mãe ao ver o seu cuidado com o legado herdado. “E por falar na minha mãe ela se dedica aos pássaros e animais silvestres. Na década de 1980 plantou 100 arvores magnólias amarelas e outras para atração dos pássaros. Graças a isso hoje bandos de diferentes espécies migratórias fazem da daqui um ponto de pouso e descanso”.

O cuidado e a preocupação da mãe com a natureza foram passados para a filha. Para a engenheira agrônoma quem ama a terra amado por ela é. “Quero dizer que cuidando da terra em todo o seu aspecto receberemos de volta a qualidade de vida. Nosso planeta precisa ser amado e cuidado”, finaliza Ruth.

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SOBRE A COMAC

O Grupo Comac atua há mais de 45 anos como distribuidor exclusivo da marca Massey Ferguson. Tem matriz sediada em São Paulo e filiais nas cidades de Campinas e Pindamonhangaba.