TEM MULHER NO CAMPO

“ESCOLHEMOS SEGUIR”

A trajetória da goiana Cristiane Steinmetz é mais exemplo da força e determinação que movem as mulheres do agro

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Com a morte do pai em 2014 escolheu continuar, ao lado da mãe, Clélia, e da irmã, Adriane, escrevendo a história iniciada ainda na década de 1970, no Cerrado goiano

Potência. Um substantivo feminino que define a história de muitas mulheres Brasil afora. E quando unidas em torno de um objetivo e projeto de vida potencializam não só o resultado, mas o fortalecimento do gênero que há anos vem lutando para conquistar e ampliar seu espaço. A trajetória da goiana Cristiane Steinmetz é um destes exemplos.

Filha e neta de agricultores carrega no sangue o legado dos antepassados e o histórico de trabalho dedicado à lavoura. Os pais Eugênio Inácio e Clélia Steinmetz, migraram do Rio Grande do Sul para o Cerrado goiano. “Chegaram aqui no tempo em que tudo ainda era cerrado e pouco se falava na produção de soja. Construíram a Fazenda Boa Vista desde o início”, lembra Cristiane que, assim como a irmã Adriane, nasceu na propriedade situada em Mineiros (GO).

A goiana já tem a sabedoria e o entendimento de que para falar do presente é necessário lembrar e reverenciar o passado.  Cristiane saiu de casa aos 15 anos para cursar o ensino médio. “Meus pais ficaram na fazenda e eu segui meu caminho. Eles sempre nos incentivaram a estudar”, relembra. Aos 18, já cursando a faculdade de Direito em Goiânia, os planos da jovem tiveram que ser alterados.  “Em 2004, quando estava no sétimo período do curso, meu pai começou a enfrentar uma crise financeira e também problemas de saúde. Foi então que comecei a rever algumas coisas”. A saúde do pai, aliada ao contexto econômico, fez com que decidisse voltar para a fazenda. “Em um primeiro momento ele resistiu porque eu iria perder alguns semestres na faculdade, mas eu vi que não estava bem. Eu tinha a vida inteira para estudar, mas pai eu só tinha um. Precisava zelar pela saúde dele”.

Então, aos 21 anos, teve que readequar seus projetos para ficar junto à família e ajudar na recuperação dos negócios da fazenda.  Os meses de estudo e a rede de relacionamentos, construídos no período da faculdade, a ajudaram em algumas atividades e decisões na propriedade. Foram dez anos de entrega e aprendizado ao lado do pai, mãe e irmã.

Em 2014, com o falecimento precoce de Eugênio, vítima de infarto aos 60 anos, as três mulheres tiveram que lidar com a dor da perda e também com os novos desafios que a vida estava lhes impondo.  “Vivemos o momento mais difícil da nossa família. Encerramos um ciclo com a partida do meu pai. E lá estávamos nós: eu, minha mãe e minha irmã”. E foi com a consciência do legado construído com muito esforço pelos avós e pais que as mulheres da família Steinmetz decidiram dar continuidade ao trabalho. “Éramos as três mulheres da casa e a sorte a ser lançada. Ficar? Seguir? Dar continuidade? Juntas decidimos ficar e dar continuidade ao trabalho de gestão da propriedade."

Os dez anos de aprendizado ao lado do pai funcionaram, de certa forma, como um processo de sucessão, avalia Cristiane. “Nos fortalecemos e permanecemos unidas, e isso foi determinante.  Herdei deles o otimismo de acreditar em dias melhores e de levar um sorriso no rosto, apesar dos problemas, por maior que fossem. As vezes sentava e chorava, pensava como eu iria resolver isso.  Então simplesmente pedia a Deus que mostrasse o caminho, pois eu não queria ver uma vida inteira de trabalho dos meus pais e dos meus avós ir por água abaixo, relembra Cristiane.  O papel da matriarca também é destacado. “Em meio a tudo isso, ela sempre trouxe harmonia para o nosso lar. É uma mulher de muita força e fé”.

E assim seguiu o ciclo da vida. Cristiane se formou em Direito e cursou MBA em Liderança Executiva e Gestão Empresarial. De lá para cá, já são mais de dez anos de experiência no agronegócio. “O tempo foi passando e o que era para ser apenas uma fase em que eu viria auxiliar meus pais, transformou-se em minha trajetória profissional”. Cristiane tornou-se peça-chave da Rede União das Mulheres do Agro (UMA) e também é uma das embaixadoras do 3º Prêmio Mulheres do Agro, promovido pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Concessionária Volmaq: mais de duas décadas de atendimento aos produtores de Goiás

A família, cliente da concessionária Volmaq de Mineiros, há décadas utiliza os tratores e colheitadeiras da Massey Ferguson, do plantio à colheita de soja.

Com matriz em Jataí e filiais nos municípios de Mineiros e Alto Taquari, a concessionária foi fundada em 1997. São mais de 20 anos de história, ao lado dos produtores, em qualquer momento e em todos os campos.